A mais pura revolução do século 20, numa esquina de San Francisco, ali na Haight com a Ashbury. Um flashback psicodélico com vários desfechos inusitados, uma época ácida da contra cultura tomou conta dessa geração.
Garotos de cabelos mais longos, garotas de minissaia perambulando em suas kombis coloridas abastecidas de várias substâncias ilícitas dominavam o local.

Alguns dizem que foi Michael Fallon (jornalista), do San Francisco Examiner quem criou o termo “hippie” É uma variação do termo “hip”.Que significa genericamente “ligado”, “ por dentro das coisas”
Essa turma invadiu a Haight e seus casarões, daí para frente o cheiro de maconha queimada começou a fazer parte dessa fonte da contra cultura em 1965.
Poderia ser apenas mais um bando de malucos no mundo se não fosse o fator ácido. O LSD com 17 anos de idade já era utilizado em laboratórios de estudos neurológicos. Uma das primeiras cobaias foi o escritor Ken Kesey, autor de um Estranho Ninho.
A experiência foi feita e ele gostou muito do resultado, daí passou a ser um grande propagador dessa droga, até então perfeitamente legal.
O professor de psicologia Timothy Leary, se tornou também um devoto da substância, segundo ele o LSD tinha a capacidade de “expandir a consciência” além de ajudar pacientes de traumas e bloqueios.
O LSD passou a ser produzido por Owsley Stanley em massa no seu laboratório particular, e chegou a marca de 1 milhão de pílulas em dois anos.
Stanley procurava composição do ácido mais puro e potente, em troca ele não queria grana, e sim uma experiência mental coletiva.
Em 24 de outubro de 1965, os músicos da banda Warlocks tomaram as pílulas e foram tocar num grande casarão na Rua Page número 1090.
Durante 20 fins de semana entre 1965 e 1966 centenas de hippies pagaram 50 cents para frequentar as festas de arromba no porão da Page.
Neste local não havia cadeiras, apenas uma pista de dança, com uma iluminação original na época inventado por um vizinho, era cheia de cores, essa trilha seguia numa estrada inovadora, ali nascia o visual psicodélico.
Alucinado de ácido, o guitarrista e líder dos Warlocks Jerry Garcia, começou improvisar em suas músicas esticando longos instrumentais que ligava uma música na outra, e ninguém parava de dançar, enquanto Owsley fazia a distribuição do LSD para a galera. Assim a viagem estava garantida.

Os Big Brothers & Holding Company, tinha um guitarrista famoso pelos solos de 45 minutos, mas ele precisava de um vocalista (a). Uma das principais candidatas se hospedaria num dos quartos da Page 1090, era uma texana gordinha cheia de espinhas chamada Janes Lyn Joplin.
A lendária Haight – Ashbury hoje serve de comércio de moda hippie, lojas com acessórios da época para os mais nostálgicos
A festa de arromba aconteceu mesmo no dia 5 de dezembro de 1965 numa esquina a caminho de San Francisco, o acid test, lá rolou o primeiro (de 12). Uma das invenções de Ken Kesey e seus camaradas. Nas paredes eram projetadas figuras psicodélicas, com filmes antigos, e a galera dançava sob luz negra e muita loucura.
E nessa noite a banda de Jerry Garcia deixou de se chamar Warlocks para se tornar Graterful Dead.
Todo mundo ficava doidão. Tiravam suas roupas e ficavam na rua pelados. A revolução psicodélica havia começado.
Nas festas a galera hippie trocava e se misturava com outros artistas como, diretores de teatro de vanguarda, poetas, performances de rua e com os“Fraldas Vermelhas” (comunistas da Califórnia).
A tal sociedade alternativa estava em seu começo, com o objetivo de curtir a vida numa economia baixa, tendo como fonte o comércio de artesanato.

No dia 1 de janeiro de 1966 inaugurou no número 1.535 da Haight a Psychodelic Shop. Ali eram vendidos livros e revistas, também com “salas de meditação”. Nessas salas meditando, casais entravam em contato com o seu eu interior, sem regras de posses afetivas. Isso era o amor livre.
Em 1966 o conceito da acid tests passou para a Trip Festival, que reunia 3 mil viajantes, agregando música e teatro, tudo que já fazia parte da cultura psicodélica.
A cultura na Haight- Ashbury começou a se espalhar na medida em que novos hippies chegavam, com muita fome, e sem grana. Os Diggers procuravam restos de comida e preparavam refeições free ,e distribuía nos gramados do Panhandle.
Houve desaparecimento de jovens em 1966 nas ruas do Haight- Ashbury, 1. 231 foram contados era muita gente Recém chegados montavam suas barracas num morro Golden Gate Park prontos para acreditar em qualquer coisa e seguir algum guru.
Aqueles jovens queriam na verdade um atalho para o nirvana, o LSD era tão comum como uma aspirina, e para acelerar o despertar da terceira visão, usavam pomadas coreanas, e falavam da casca da banana, que bem seca ao sol e fumada, poderia dar um grande barato.
Em setembro de 1966, o Grateful Dead se muda para o número 710 da Ashbury, e o casarão abriga Jerry Garcia e sua trupe de colegas, assim se transformando no principal ponto agitado do bairro.
Kombis coloridas chegando muita gente mergulhada no ácido, aquilo tudo era “natural”. Em uma das inúmeras festas da Page 1090, alguém jogou uma garrafa de Coca Cola pela janela e curiosamente caiu nos pés de um policial, isso foi a gota d’água para explodir uma situação tensa. Registra-se a primeira batida policial por porte de drogas. A mamata estava acabando, e o sonho começava se tornar pesadelo.

Em 2 de outubro de 1966 ocorre o último acid tests, E nessa data já faziam quatro dias que o estado da Califórnia estava enquadrando a galera por posse e produção de ácido, considerando como crime.
Depois da proibição, um jovem morreu num roubo de carro, dando inicio a quatro dias de tumulto, recheado de ataques com bombas e protestos mais “ácidos” Os Hell’s Angels apareceram com a sua truculência, ai o astral pesou de vez.
“Hippies e Hell’s Angles continuam a se encontrando no início da Haigth, ali eles e outros freaks trocam ideias numa boa”.
Mas a grande atração do quarteirão eram eles, e sim a famosa loja de discos Amoeba, um dos maiores sebos de som e imagem do sistema solar.
A Polícia durante o dia quase não se vê, mas aparentemente nada acontece de ilegal na Haigth, O que chega perto da ilegalidade são as head shops sobrevivendo do Summer of A Love. Nessas lojas produtos voltados para o hemp, são vendidos e não propriamente o tal.
35 mil loucos alucinados compareceram em 14 de janeiro (1967) aos campos de pólo do Golden Gate Park para o “Human Be-in Gathering of the Tribes” Não eram simples hippies, e sim agitadores políticos ao microfone e os Hell’s Angels rasgando os motores de suas Harley- Davidsons. Uma jarra de ácido puro e poderoso foi providenciada por Owsley nesse evento.
Rolaram shows com umas das melhores bandas da época, sandubas de peru na faixa, muito sol ao som de Grateful Dead, a galera dançava sem parar.
Mas algo estava se perdendo, um rascunho vazio tomou conta do maior verão de 1967, jovens inocentes loucos queriam sexo drogas e rock and roll fácil.
Um baixinho barbudo morava na Cole número 636, o nome desse cara era Charles Manson.
Charles passou a maior parte da sua vida em instituições penais, da prisão ele foi direto para a Haight com a Ashbury, tomou seu primeiro ácido e colocou na cabeça que era Jesus Cristo, virou mais um guru e já tinha uma seguidora, e depois outros mais entraram na onda desse louco. Na Cole começava a Família Manson.

Em 1967 arrebentava nas paradas uma canção épica com Scott McKenzie, aconselhando o resto do planeta:”Se for a San Francisco, não se esqueça de levar algumas flores no cabelo, assim hippies passaram a invadir jardins das senhoras para arrancar flores, e cair na moda!
Hordas de falsos hippies dominavam o Festival de Monterey Pop, no dia 16 de julho Janis Joplin rasga sua garganta com violência com Balls and Chains, e Jimi Hendrix transa com sua fender, e tasca fogo na coitada, yhea, baby yheaaaaaaa!!!!
75 mil jovens passaram férias no Haight- Ashbury no verão de 1967. E nas ruas palavras do escritor Ed Sanders, “uma vale de milhares de fofinhos, coelhinhos brancos cercados de coiotes famintos”. Nem sempre um cabeludo de bandana na cabeça é hippie de verdade, alguns cometiam crimes, vendiam orégano como se fosse maconha, a epidemia de doenças venéreas se espalhava.
No dia 6 de outubro foi decretada o dia da morte do Hippie, um caixão simbólico foi transportado pela Haigth. Dias antes a polícia de San Francisco deu exemplo de autoridade e na casa dos Grateful Dead, prenderam uma galera e Jerry Garcia escapou.
As Kombis coloridas começaram a partir, apenas o ônibus da Família Manson era preto.
Em 3 de marco de 1968 Jerry Garcia fez o seu último show free com o Dead no Haigth, sem autorização, e em seguida partiu para Los Angeles, e nesse meio tempo Janes se preparava para uma temporada em Nova York, os tempos de maconha e ácido na Haight ficavam para trás, e o que Joplin queria era difícil de encontrar naquela região a, heroína.

No dia 9 de agosto de 1969, o que restava de bom daquela cultura foi derretida num episódio mortal seguidos de gritos na casa das colinas de Hollywood, a atriz Sharon Tate estava morta, retalhada com oito meses de gravidez, resultado: feto morto e pendurado ao seu lado.
Logo em seguida as investigações levaram ao tal barbudo Charles Manson, alucinado na sua egotrip. Sua família de hippies loucos, viraram assassinos macabros, garotas com flores no cabelos e facas nas mãos. Ao lado da morta Sharon Tate, 3 mortos num mar de sangue sem fim, e outras vítimas seriam relevadas nos próximos dias.
Um choque mortal, vibrações escuras transformaram o dia 6 de dezembro no festival de Atlamont num horror-show com muita violência entre negros e Hell’s Angles.
“Charles Manson se torna um serial killer, Jim Morrison. Hendrix e Janes mortos, o sonho estava no fim, e o pesadelo dessa geração se tornou constante”.
Em 31 de janeiro (1970) todos os integrantes do Grateful Dead, foram presos em Nova Orleans com muita droga, como se não basta-se a banda foi roubada em 150 mil dolares por um empresário desonesto.
No trágico 18 de setembro Hendrix embarca para o inferno abordo do seu próprio vômito morto em uma drástica overdose em Londres deixando seus fãs no vazio.
15 dias depois Janes Joplin se hospeda num hotel barato de Los Angeles frequentado por traficantes, compra uma dose pura de heroína e cai diante de sua cama e a partir daí, não levanta mais.
O sonho colorido acaba de maneira trágica, grandes ícones dessa geração morrendo cedo, Charles Manson contaminou todos dessa trupe com sangue. Hoje o bairro da Haigth, é tranquilo, as acid tests, viraram raves, o novo ácido é o ecstasy. A viagem fica por conta dos DVDS, livros e discos dessa época marcante da contra- cultura.
Por Marcello Dallas